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domingo, 15 de abril de 2012

Sentir Raiva - é bom ou ruim


Culturalmente aprendemos que sentir raiva é algo negativo, que é feio e que nos faz mal. Mas cabe questionar, será que este sentimento tem algum lado positivo? Convidamos você a olhar para o sentimento de raiva por outro prisma: como potencial de defesa e ação.
O sentimento de raiva está relacionado à sensação de frustração, que costuma aparecer quando não temos controle sobre algo que queremos. A raiva, assim como tantos outros sentimentos, não pode ser evitada ou controlada, pois faz parte de nossa natureza emocional. Porém, a forma como à expressamos é que pode fazer dela benéfica ou prejudicial a nós mesmos ou às relações.
Desde muito pequenos somos ensinados a reprimir a expressão deste sentimento. Ver crianças sendo agressivas ou chorando, por sentir raiva, gera nos adultos certa angústia ou vergonha. Muitos de nós nos tornamos adultos pouco preparados para lidar com a frustração, reivindicando pouco nossos direitos ou não nos defendendo de situações perigosas. Uma criança passiva pode não reagir quando necessário e tornar-se um adulto passivo.
Além da passividade, a raiva reprimida também pode ser transferida para o corpo, os sintomas mais comuns são as dores de cabeça e dores no estômago. Essa somatização acontece porque o corpo precisa dar conta dessa energia reprimida de alguma forma.
Portanto, se encararmos a raiva como um potencial de defesa e ação, nos damos conta de que reprimí-la pode não ser a melhor opção. Ainda assim, fica a dúvida: o que fazer, então?
No caso das crianças, brigar só alimentará esta raiva. O mais apropriado é acolher o sentimento, mostrando que sentir raiva quando não conseguimos algo que queremos é normal. Mostrar para a criança que você também passa por situações parecidas traz proximidade e auxilia na aceitação do sentimento.

É importante deixar claro que permitir a expressão do sentimento de raiva não significa evitar que seu filho a sinta, cedendo às suas vontades, pois isso pode não prepará-lo para a vida no futuro, gerando outros problemas de limites e frustrações mais a frente. O que defendemos é ajudá-lo a encontrar alternativas para lidar com esse sentimento. Já que a criança não pode bater no papai e na mamãe, no irmão ou no amiguinho, bater na almofada, no joão-bobo ou gritar bem alto dentro do seu quarto são alternativas possíveis, mas vocês encontrarão a melhor forma juntos.

Conforme amadurecemos vamos adquirindo melhor previsão das conseqüências de nossas atitudes e, portanto, podemos nos dar conta dos benefícios e prejuízos de brigar com o chefe, por exemplo. No entanto, estamos mais conscientes do que sentimos e precisamos expressar esse sentimento. Mas de que forma?

Percebemos em nossa experiência que alguns adultos têm formas bastante cristalizadas e prejudiciais de lidar com as dificuldades e frustrações que se apresentam em suas vidas. Nesses casos a busca por autoconhecimento, através da psicoterapia, pode ajudá-los a encontrar a forma mais saudável para si.

Outros não apresentam maiores prejuízos para suas relações afetivas, sociais e profissionais, vivendo dificuldades bastante pontuais. Nesses casos, a procura por algum exercício físico pode ser uma ótima solução: caminhadas, corridas, natação, dança, aero boxe, yoga, entre outros. É possível também recorrer aos recursos das crianças, gritar e bater na almofada pode aliviar bastante a raiva de qualquer um. Encontre a alternativa que mais se identifica com você!

Maria Lídia N. A. de Aro
Psicóloga/Psicopedagoga

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