O sentimento de raiva está relacionado à sensação
de frustração, que costuma aparecer quando não temos controle sobre algo que
queremos. A raiva, assim como tantos outros sentimentos, não pode ser evitada
ou controlada, pois faz parte de nossa natureza emocional. Porém, a forma como
à expressamos é que pode fazer dela benéfica ou prejudicial a nós mesmos ou às
relações.
Desde muito pequenos somos ensinados a reprimir a
expressão deste sentimento. Ver crianças sendo agressivas ou chorando, por
sentir raiva, gera nos adultos certa angústia ou vergonha. Muitos de nós nos
tornamos adultos pouco preparados para lidar com a frustração, reivindicando
pouco nossos direitos ou não nos defendendo de situações perigosas. Uma criança
passiva pode não reagir quando necessário e tornar-se um adulto passivo.
Além da passividade, a raiva reprimida também pode
ser transferida para o corpo, os sintomas mais comuns são as dores de cabeça e
dores no estômago. Essa somatização acontece porque o corpo precisa dar conta
dessa energia reprimida de alguma forma.
Portanto, se encararmos a raiva como um potencial
de defesa e ação, nos damos conta de que reprimí-la pode não ser a melhor
opção. Ainda assim, fica a dúvida: o que fazer, então?
No caso das crianças, brigar só alimentará esta
raiva. O mais apropriado é acolher o sentimento, mostrando que sentir raiva
quando não conseguimos algo que queremos é normal. Mostrar para a criança que
você também passa por situações parecidas traz proximidade e auxilia na
aceitação do sentimento.
É importante deixar claro que permitir a expressão
do sentimento de raiva não significa evitar que seu filho a sinta, cedendo às
suas vontades, pois isso pode não prepará-lo para a vida no futuro, gerando
outros problemas de limites e frustrações mais a frente. O que defendemos é
ajudá-lo a encontrar alternativas para lidar com esse sentimento. Já que a
criança não pode bater no papai e na mamãe, no irmão ou no amiguinho, bater na
almofada, no joão-bobo ou gritar bem alto dentro do seu quarto são alternativas
possíveis, mas vocês encontrarão a melhor forma juntos.
Conforme amadurecemos vamos adquirindo melhor
previsão das conseqüências de nossas atitudes e, portanto, podemos nos dar
conta dos benefícios e prejuízos de brigar com o chefe, por exemplo. No
entanto, estamos mais conscientes do que sentimos e precisamos expressar esse
sentimento. Mas de que forma?
Percebemos em nossa experiência que alguns adultos
têm formas bastante cristalizadas e prejudiciais de lidar com as dificuldades e
frustrações que se apresentam em suas vidas. Nesses casos a busca por
autoconhecimento, através da psicoterapia, pode ajudá-los a encontrar a forma
mais saudável para si.
Outros não apresentam maiores prejuízos para suas
relações afetivas, sociais e profissionais, vivendo dificuldades bastante
pontuais. Nesses casos, a procura por algum exercício físico pode ser uma ótima
solução: caminhadas, corridas, natação, dança, aero boxe, yoga, entre outros. É
possível também recorrer aos recursos das crianças, gritar e bater na almofada
pode aliviar bastante a raiva de qualquer um. Encontre a alternativa que mais
se identifica com você!
Maria Lídia N. A. de Aro
Psicóloga/Psicopedagoga